Deep Web é um termo cercado de uma aura de mistério, como uma coisa que somente pessoas muito inteligentes ou muito más pensam em usar. Boa parte dessa aura é criada por histórias chamadas Creepypastas, histórias de terror criadas na internet. Várias delas fazem uso da Deep Web, afirmando que várias negociações ilegais que dão origem às histórias existem.

Dá para afirmar que nenhuma delas existe? Não. Mas dá dizer que algumas são mentira. Provavelmente você deve ter ouvido falar das Lolitas, bonecas humanas usadas para satisfazer desejos sexuais de pessoas com dinheiro, ou da Centopéia Humana, que é melhor nem descrever aqui. Ambas são mentira, esta última tem até filmes feitos com o tema, e bem ruins, por sinal.

O que a Deep Web é realmente?

Se traduzirmos livremente o termo teremos “Internet Profunda”. Exatamente isso que ela é. Para acessar esta parte da internet é necessário usar alguns programas e navegadores adaptados para a tarefa, pois são exigidas tecnologias de anonimato e de encriptação.

Lá você pode achar de tudo, desde imagens de gatinhos fofos a tutoriais de como fazer bombas, de fóruns a respeito de séries de TV até discussões sobre como realizar atentados terroristas. Nenhum dos sites será encontrado com uma simples busca, como você deve estar acostumado. Os endereços de cada um variam de rede para rede, e podem ser trocados esporadicamente. Uma forma de acessá-los é através de links diretos, como se fazia na era pré-buscadores.

Navegar na Deep Web faz relembrar a experiência de usar a internet como ela era antes de se popularizar. Layouts antigos, poucos scripts e velocidade reduzida. Esta queda na velocidade se dá pela encriptação e desvios de rota da requisição que é exigida para acessar de forma segura.

A Deep Web é dividida em camadas?

Não. Este conceito de camadas não existe na Deep Web. Não existem níveis de dificuldade de acesso, ou requerimentos de cálculos específicos para acessar certas áreas. Portanto, é mentira também a história da Mariana’s Web: uma espécie de área tão profunda que é praticamente impossível que um computador normal possa acessar (o nome é uma alusão à Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico). O que há são sites mais difíceis de acessar: podem exigir testes, cadastros ou serem inseguros.

Na Deep Web estão vários criadores de vírus e malwares, portanto cuidado por onde você navega, principalmente se utilizar o Windows e se fizer downloads. Ao baixar arquivos maliciosos você pode expor sua identidade e facilitar a invasão por uma pessoa mal-intencionada, pois o número IP de sua máquina fica visível.

Como acessar?

Existem várias formas de acessar. Vou dizer como funciona a mais conhecida: o TOR. TOR é a sigla para The Onion Router, “O Roteador Cebola” em português. Esta rede tem esse nome por causa da forma como ela faz a conexão e as requisições: ela cria camadas como as de uma cebola. Basicamente o seu IP é camuflado e trocado de região, por exemplo: você acessa do Brasil, mas vai passar por vários países. Quem quiser saber de onde você é terá problemas, pois o seu IP é convertido várias vezes para chegar ao número de IP final, que, com certeza, será de um país longe do seu.

Esta tecnologia foi criada para driblar a censura em países que bloqueiam acesso à informação. Também dá acesso a sites com domínio .onion, que são os endereços mais comuns dos sites da Deep Web.

Um navegador especial é para isso, chama-se TOR Browser. Além dele, o Brave, navegador focado em privacidade, também possui acesso a esta rede graças às abas privativas TOR, que foram adicionadas nas últimas versões. O primeiro é baseado no Firefox e o Brave no Chromium, que é a base do navegador Chrome, porém sem os rastreadores do Google.

O que tem lá?

Tudo. De bom e de ruim. De legal e ilegal. Saiba que se você acessar conteúdo ilegal e for descoberto, terá que arcar com as consequências disso.

Não é porque está na Deep Web que é necessariamente ilegal, tem muita coisa errada na internet normal também. É possível encontrar as mesmas informações em ambas as redes.

O conteúdo da Deep Web é em sua grande parte em inglês. Se você não sabe nada do idioma, você não poderá aproveitar a experiência. O mesmo acontece na internet normal, visto que tudo o que há de mais de novo e completo também estão no idioma.